Passos que agora dou sozinho, marcas solitárias que desaparecem na fina areia da praia. O vento que as leva no seu sopro. O mar que se lhes sobre põe como um manto, as recolhe e guarda na sua imensidão para todo o sempre. Um sempre que só eu recordarei. Com saudade? Talvez. Memórias esquecidas, memorias que quero esquecer.
Passos no dia escurecido com a solidão que em mim paira como uma nuvem. Solidão que me abraça, forte, como se de um amigo de longa data se tratasse. Marcas na noite de breu. Ilusões projectadas na escuridão me aquecem o coração. Marcas que desaparecem no escuro. Marcas que desvanecem juntamente com o sonho. Não passam disso, sonhos. Ficaram marcados, vincados no coração. Feridas que não sararam e que ardem com uma leve recordação.
Na praia deserta, a visão das minhas solitárias pegadas entristece o meu olhar. O mar entoa a triste melodia, o vento canta-me ao ouvido. Como doi na alma. A solidão.

