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Faz-nos falta ter aquele amor platónico,
Aquele impossível e inalcançável.
Guardado para todo o sempre num recanto da memória,
Deixa-lo envelhecer como envelhece a nossa pele.
Para nos fazer lembrar que o amor não é fácil,
Para nos fazer lembrar que nem tudo está aqui ao lado,
Aqui ao nosso lado.
O amor não é para todos ou para quem quer,
É para quem pode e para quem quer.

Saudades.
Hoje sinto saudades, algo nostálgico.
Saudades de tanta coisa, faz-me falta.
O dia passou. O sol esteve fraco.
Noite longa. Seca. Fria.
Estou cansado, pesam-me as pernas e a cabeça.
Hoje sinto-me assim.
Vazio.

Apetecia-me hibernar.
Apetecia-me fechar as portas ao mundo.
Mesmo que por breves momentos.
Não ver pessoas.
As pessoas cansam-me.
Queria descansar.
Mesmo que por breves momentos.

Momento doce e quente

Saco cama, molhados

Areia fria da noite

Pés descalços, enrolados

Enregelados

Calor de lábios

E a luz das estrelas

Abraço, sentimento

Aquele momento.

Aqui cheguei, voltei aqui, a este lugar que já não conheço nem nunca conheci, onde nunca vivi nem soube viver. Não nasci, não vivi, não morri. Que faço eu aqui? Eu, aqui. Não… Sim.
Ando. Passo depois de passo, passo antes de passo, ando.Vou a lugar nenhum, chego a lugar algum. Incerto, percorro caminhos que não conheço, que não sei onde me levam. Caminhos da alma. Perdida. Talvez nunca encontrada. Isolada, desanimada. Sobrevive.
Aqui chove, aproveito cada gota, oiço cada história que me contam. Está fresco, seco, húmido, frio. A luz, aproveito cada segundo de luz, que me ofusca os olhos.
Passa uma hora, duas… Três. Solidão, num quarto que cada vez parece maior, mais frio, mais vazio, mais escuro e triste. No espelho ao canto vejo um reflexo, alguem que não conheço. Ou deveria conhecer. Só, olho para um telefone que nunca toca. É caro o tempo, o tempo que me põe contra a parede. Escondo-me outra vez. Peço perdão, mas quero ser como dantes, quero ser uma criança. Criança sem medo.
É dia, espero pela tarde, noite. Adormeço. E é de novo dia, espero pela tarde, chega a noite e volto a adormecer. Outra vez, assim. Não me lembro de mim. Eu. Por vezes especial, belo, espetacular, poderoso, imparavel. Por vezes miseravel, penoso, só, fraco, frágil.
Amor. leva-nos à loucura. Leva-se as coisas longe de mais. Por amor. longe. Por amor. Ainda mais. De todas a mais bela dor, mas doi. Dor que faz viver. Dor que deixa morrer. Não quero saber se doi. Parece que é verdade o que dizem sobre o amor: é cego. Dentro de mim mil problemas vivem. Mil problemas que me negam.
Pela ultima vez, escrevo a linha final deste interminavel poema. Sem forças. Corro sem cessar. Sem sair do meu lugar. Meu lugar… Meu?

23/11/2005

Resumindo e concluindo…
Não há destinção,
Não há qualquer excepção.
É sempre tudo igual.

Resumindo e concluindo…
Vira o disco e toca a mesma,
É tudo da mesma resma.
A desilusão habitual.

Resumindo e concluindo…
Brincam com o que não devem,
Brincam com o que não mereçem.
É isso, tal e qual.

Resumindo e concluindo…
Mais uma nova cabeçada,
Mais uma nova cilada.
Acontecimento pontual.

Resumindo e concluindo…
Que diga, quem, para este titulo, sabe a resposta.
Que diga, quem sabe o que custa.
Constante balança desigual.

Noite de loucura,
Improvisada na areia.
Em tamanha fervura,
Como que por uma teia,
Deixei-me envolver.
Rendi-me ao desejo
Desse teu beijo.
Deixei acontecer,
Não pensei no que iria sofrer.
Sonhei acordado.
Sonhei com o momento.
De tudo alienado.
Não escondi o sentimento,
Declarei um amor presente,
Tornei-me transparente.
Senti o teu sabor a canela:
Doce e picante,
Intenso e excitante.
Não quis acabar aquela tela,
Quis sentir cada pormenor.

Agora que acabou,
Penso se terá sido em vão
Tudo o que se passou.
Terá sido com paixão
Ou apenas uma mentira
Só para passar o tempo,
Como quem dá e tira,
Ignorando o alheio sentimento.
Foram varias sensações
Nunca antes sentidas.
Varias ilusões
Há muito escondidas.
E ao chegar o amanhecer,
Com o acordar,
Chegou o teu arrepender,
O teu sentimento de errar.
Lembro essa noite tão bela.
Doce e amargo sabor canela.
Doces sensações,
Amargas recordaçoes.

Senti teu corpo no meu.
Senti teu cheiro, doce de fel,
Como rosa da noite a florir.
Rosa que me fez iludir.
Meu toque em tua pele.
Que gostaste, apesar do não.
Essa tua caricia,
Talvez com malicia.
Essa noite, que na escuridão,
Aos dois, nos envolveu.
No escuro de breu,
Abri meu coração,
Expus meus sentimentos,
Admiti-me o amor.
Sonhei com a tua cor.
Bons momentos.
Lado-a-lado deitados,
Em murmurios calados.

Canto este fado,
Num tom magoado
Que a vida me deu.
Paixão perdida,
O sonho que morreu.
Fado da minha vida.
A rosa que murchou,
A onda que rebentou
E quando a voz calou,
Ouvi o que foi dito
Pelo silencio que durou.
A amizade que acabou
E o amor que chorou.
Talvez já estivesse escrito,
Este fado.

Fado sem sentimento
E sem sentido,
Um sonho contido
Na esperança do momento.

No rosto, a lagrima que arde.
No peito, o coração aperta.
Torna-se tarde
E nunca acerta.
Com a lembrança do grande amor,
A saudade realça a dor.
Corro atrás de ventos.
Ontem amei, hoje não conheço.
Inúteis sentimentos.
Revolta, solto um grito.
Mais uma vez tropeço,
Mais uma vez fortaleço.
Talvez já estivesse escrito,
Este fado.

Fado sem sentimento
E sem sentido,
Um sonho contido
Na esperança do momento.

Sou poeta sem rima
Nem vida de poesia
Escrevo sem quadra
Ou regras poéticas

Sou poeta sem vida
Sou homem sem poesia
Rimo com solidão e escuridão
Sofro com elas no peito
(Eternas)

Como poeta invento vidas
Como homem escrevo poesias
A alegria é momentanea
Felicidade é platónica
(Efémeras)

Sou homem, poeta
Sou profeta da minha vida
Escrevo minha vida em poesia
Em forma de profecia
(Permanentemente)